Trate de ser feliz

18:55 O Amor Se Fez 0 Comentarios



Hoje, acordei e abri a janela do quarto – contrariando os textos que soam como auto ajuda, não era cedo, já passava das 6 e nem fazia um dia lindo, frio e chuvoso. Percebi todas as minhas oportunidades de ser: ser humano, ser minha própria luz em dias cinzas, ser minha melhor companhia, ser calor independente do clima. Os dias, na verdade, são todos assim, nós é que não percebemos – a rotina, os pseudo problemas, os pequenos desesperos diários nos cegam.
Hoje percebi a raridade e a beleza de estar vivo. Aliás, de ter a sorte de estar vivo. Num mundo tão vasto e tão miúdo, com tanta beleza sutil que a gente passa por cima, atropela e culpa os compromissos, conseguir se sentir vivo é uma missão. Nos calçadões, nas praias, nas avenidas, dentro dos carros, nos corredores da faculdade, nas lojas: a maioria das pessoas parece apenas existir. Cumprimos o script: acordamos, tomamos banho, trabalhamos, comemos, voltamos para casa, reclamamos do que podemos mudar e dormimos.
Nossa sociedade capitalista nos dá a sensação de felicidade nas compras, na grana gasta no shopping, no carro novo. Assim, esquecemos a verdade mais incontestável de todos os tempos: o melhor da vida é de graça, o bonito da vida vem de dentro. Ninguém precisa de grana pra encontrar os amigos numa praça, ninguém precisa de capital pra esbanjar sorriso, ninguém precisa de mais de uma dose de bom humor pra tornar o dia melhor. Problemas? Assim como você, aquele cara felizão ali também tem.
Nos apegamos à muito e somos, enquanto humanos, tão pouco. Ter ambição não é ruim, em nenhum sentido. A graduação é importante, o mestrado, o doutorado, o bom emprego, o conforto, a possibilidade de ir além do que pensamos. Mas perder o melhor da vida planejando, deixar de aproveitar o que temos – seja a infância, a juventude ou a sabedoria – para pensar sempre no depois, que sempre será uma incógnita se vai realmente haver depois, seria tão importante assim? Não falo de imprudência nem de irresponsabilidade, falo de equilíbrio.
Que a gente não dependa do dia bonito pra ter vontade de viver, nem da conta bancária. Que a gente enlouqueça, sim, com os prazos da faculdade e do serviço, mas que haja tempo pra dar um beijo naquela pessoa especial e se fazer presente sempre que possível. Que a gente perceba que o material vem com esforço e não deve ser nosso maior objetivo. Esquece o IPhone um pouquinho, sente na sala com o seus pais ou seu amor e use o melhor aplicativo de todos os tempos: a conversa agradável que fortalece laços. Essa é a essência da nossa pequena passagem por aqui – não sabemos o que vem depois e, nem é tão importante assim, se pensarmos no presente, no que nos é dado.
Que a gente abra a janela e seja grato por estar vivendo, que a gente viva de verdade ao invés de apenas e somente existir.

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