Amor em Declínio- III Capítulo

18:52 Ana Caroline Carvalho do Nascimento 0 Comentarios





Após um longo suspiro de tédio partindo de Marcos insinuando a lentidão da compreensão de Liz, o mesmo expressou:

-Esqueça, Liz. Boa noite, querida!

Saindo da conversa desnorteada, Liz esqueceu de que estava à caminho do quarto do avô para tirar sua maquiagem no melhor espelho da casa, então se direcionou novamente ao seu quarto onde se pegou pensativa e com uma dose incomparável de receios.

Eram mais ou menos onze e cinquenta da noite, a casa estava parcialmente escura, exceto pela luz que iluminava o corredor dos quartos, o silêncio era predominante até  a porta do quarto de Liz se abrir com um leve ruído. Liz dormia tranquilamente quando sentiu dedos gelados escorregar pelo seu corpo tão rapidamente como se estivesse sempre a procura de tê-lo por completo nas mãos, um sussurro grosso se estendia e se tornava cada vez mais alto à altura de seus ouvidos. Quando Liz se deu conta de que realmente estava vivendo aquela situação preparava as cordas vocais para gritar quando essa mesma mão que a alisava a deteu, tapando-lhe a boca e lhe encobrindo de qualquer reação ou movimento, lhe usando, submetendo-a à atos que não acometia seu corpo travado e infantil e sobretudo lhe tornando mais uma vítima das mais perversas barbaridades de um abuso sexual.

Dando a entender que aquela noite obscura parecia findar-se, uma atitude ainda mais aterrorizante para Liz se sucedeu, era Marcos que sussurrava em seu ouvido esquerdo:

- Que tudo se mantenha em segredo! Você não sabe quem eu sou nem de onde eu vim, não me conhece... e sua família, principalmente a sua “amada” mamãe está em minhas mãos!   

Liz já não era mais a mesma, se sentia impura, incapaz, insegura, se questionava o tempo todo a capacidade do ser humano e sua existência no mundo, chorou até o restante da noite acabar... viu amanhecer... criou forças e se aprontou para ir ao colégio antes de todos despertarem. Escreveu um bilhete murmurando de dores em seu corpo e na alma. Nele dizia:

- Precisei chegar à escola cedo por conta de um trabalho em grupo. Me desculpem não ter avisado antes.

A família de Liz questionou a atitude da mesma mas não estranharam por se tratar de uma menina dedicada e sempre muito correta.

Liz estava na aula de português com sua professora preferida, mas nesse dia parecia estar em outro mundo, não ouvia nem via ninguém, apenas assistia a cena da noite anterior que não sumia da sua cabeça. O transtorno se tornou notório quando uma outra mão que segurava seu ombro a fez tomar um susto incomparável.

- Calma! Só queria dizer que seu caderno está no chão... Disse um rapaz que a observava já há alguns minutos.

Liz aliviada respondeu:

- Muito obrigada! Nem tinha percebido... mas, quem é você que nunca o vi em nossa turma? Novato? 

Continua...

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